Visão geral
Situada em um fértil vale florestado ao pé do Monte Mangone, aproximadamente 3 km a sudoeste de Piazza Armerina, no centro da Sicília, a Villa Romana del Casale é um dos supremos monumentos arquitetônicos e artísticos sobreviventes do Baixo Império Romano. Erguida nas primeiras décadas do século IV d.C. (c. 310–330 d.C.) sobre os restos de uma villa rústica anterior do século II, a residência rural palaciana estende-se por mais de 4.000 metros quadrados em quatro níveis terraplenados, conformando-se ao declive natural da bacia do rio Gela.
A preservação incomparável da villa é o resultado direto de um desastre natural catastrófico no século XII. Por volta de 1161 d.C., enormes deslizamentos de terra e torrentes de lama aluvial desceram do Monte Mangone, soterrando completamente os edifícios sob um a quatro metros de sedimento protetor. Essa matriz de silte selou os mosaicos policromos do piso contra umidade, intempéries e saques de pedras por quase oito séculos. Sondagens iniciais de Paolo Orsi em 1929 e Giuseppe Cultrera na década de 1930 confirmaram a presença de mosaicos, mas foram as campanhas monumentais de Gino Vinicio Gentili entre 1950 e 1954 que limparam o complexo, trazendo à luz mais de 3.500 metros quadrados de mosaicos figurativos intactos, criados por oficinas de mosaico mestras importadas do Norte da África romano (provavelmente Cartago).

"Os mosaicos de Piazza Armerina representam a maior, mais variada e mais bem preservada coleção de arte de pavimento romana no mundo mediterrâneo, testemunhando o luxo supremo da vida aristocrática tardo-antiga."
— Citação do Patrimônio Mundial da UNESCO, Villa Romana del Casale (1997)
O centro artístico da propriedade é o Ambulatório da Grande Caçada (Corredor da Grande Caçada), um impressionante corredor colunado de 66 metros de comprimento que atravessa o eixo central da villa. Suas tesselas vívidas retratam a captura, engradamento, transporte terrestre e embarque marítimo de feras da África e da Ásia — leões, leopardos, elefantes, tigres, rinocerontes, avestruzes e javalis — destinadas aos espetáculos de arena de gladiadores (venationes) no Coliseu de Roma. Nos apartamentos privados, a famosa Câmara das Dez Donzelas (Sala delle Dieci Ragazze, amplamente conhecida como "Garotas de Biquíni") retrata dez jovens nobres em trajes atléticos de duas peças, subligaculum e strophium, envolvidas em levantamento de peso, lançamento de disco, corrida em pista e jogos de bola, com a vencedora premiada com uma palma e coroa de louros.

O patrono e proprietário desta residência palaciana permanece um enigma célebre. Gentili originalmente atribuiu a villa ao Imperador Romano do Ocidente Maximiano (Hercúlio), citando a iconografia hercúlea recorrente no grande salão de jantar tri-absidal (Triclínio). Estudiosos posteriores propuseram o filho de Maximiano, Maxêncio, ou um poderoso senador romano e governador proprietário de terras, como Lúcio Arádio Valério Próculo, prefeito de Roma (340–352 d.C.), que encenou jogos luxuosos exigindo vastas importações de animais. Inscrita na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1997 (ref. 832), a villa conecta-se com os cais comerciais de Óstia Antiga, a arena de jogos do Coliseu, a preservação doméstica de Pompeia e Herculano, e as tradições de mosaico de Cartago.

